Apraxia de fala na infância

Atualmente já não mais tão desconhecida assim, a Apraxia de Fala na Infância – AFI, ainda intriga muitos pais e terapeutas. O Caminho é o Planejamento Motor. “A apraxia é uma desordem neurológica que se caracteriza por provocar uma perda da capacidade em executar movimentos e gestos precisos que conduziriam a um dado objectivo, apesar do paciente ter a vontade e a habilidade física para os executar (Wiki).

Muitas são as crianças com Transtorno do Espectro do Autismo que possuem AFI como comorbidade.

Na minha clínica tenho apenas um paciente com AFI “pura”. E já costuma ser um trabalho árduo, pois os erros de fala assistemáticos e a necessidade das repetições para uma resposta neuronal adequada em uma criança até os 5 anos, independente de quadro clínico, por si só já é um grande desafio.

A chave para uma boa terapia, principalmente com o público infantil, é a MOTIVAÇÃO.

Fala menino!

Traçar metas terapêuticas adequadas ao nível de desenvolvimento (já falamos sobre isso em outras postagens) – nem fácil demais e nem difícil demais, é essencial!

Mas se tem um caminho comum para o trabalho com crianças com Apraxia de Fala, esse caminho é o planejamento motor!

Planejamento

Em linhas de desenvolvimento, sabemos que tudo em nós se desenvolve primeiro da coordenação motora ampla para a fina. A fala, produto final tão esperado pelos terapeutas e familiares, é uma habilidade de coordenação motora fina.

Porém, antes da criança conseguir selecionar os músculos que irão participar da sequência da palavra que se quer falar, sequenciar os fonemas em seus pontos articulatórios adequados – ou seja, para falar o “m” de mamãe, eu preciso selar meus lábios e vibrar a prega vocal canalizando o som para o meu nariz (UFA!), a criança precisa ter um bom controle motor amplo, uma boa ideação, ter iniciativa e conseguir sequenciar os seus movimentos para alcançar o que deseja. Além disso, a persistência também é importante e a adaptação ao plano original, caso algo saia fora do esperado.

Quando pensarmos em trabalhar algo tão refinado como a fala, não podemos de forma alguma deixar de entender que se a criança não consegue organizar seu corpo no espaço e sequenciar os passos de um movimento de forma independente, dificilmente ela conseguirá elencar músculos, fonemas, a vibração ou não da prega vocal – que são movimentos muitos mais especializados do que levantar os braços e intercalar os pés para subir no escorrega do parquinho, por exemplo.

Nesse vídeo, trabalhamos bastante o planejamento motor com bastante pistas verbais e táteis – foi preciso que eu tocasse nos pés do paciente para que ele percebesse qual membro deveria selecionar para aquele determinado movimento, também foi preciso o uso do colete de peso sensorial, para proporcionar uma melhor percepção corporal – propriocepção.

Uma terapia de linguagem de forma alguma pode se limitar à “boca” da criança. Vivenciar, seguir a liderança, manter a motivação da criança, mesmo em momentos que sabemos que será difícil, como na hora do treino motor oral tão indispensável nas crianças apráxicas – já que a falha está justamente no planejamento motor da fala – farão toda a diferença para que o aprendizado seja positivo e prazeroso para a criança e seus familiares.

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