Linguagem Receptiva x Memória Afetiva

Se seu filho tem dificuldades de fala, trabalhar a forma com que o som chega até ele pode ser um grande diferencial. Quando falamos em integração sensorial, falamos da forma com que os sentidos se integram para perceber e realizar uma determinada ação. Muitas crianças com atraso de fala tem dificuldades na linguagem receptiva. E não estamos falando de perda auditiva, estamos falando na percepção sonora quando comparada aos demais sentidos.

Algumas crianças têm uma percepção visual maior do que a percepção auditiva, e por isso quando estão diante de um estímulo visual saliente, a audição parece não sobressair, e por isso a criança parece como “surda” em muitos casos. Mas basta tocar a música de entrada do seu desenho preferido que ela sai correndo para frente da TV.

Linguagem recptiva e linguagem afetiva

Terapia com criança usando fones

E como pode isso acontecer?

O que acontece é que os nossos sentidos são integrados em áreas associativas e também passam por áreas onde processamos as emoções – o sistema límbico.

Então, quando estamos frente à um estímulo que nos cause dor, vamos reagir de forma reativa e se estivermos frente à um estímulo que nos dá satisfação, vamos ser receptivos e ficaremos mais atentos.

Por isso a importância da abordagem terapêutica ser respeitosa e seguir os interesses da criança, pois a memória afetiva será uma grande aliada na percepção e consequentemente na aprendizagem da habilidade que está sendo trabalhada.

E a linguagem receptiva?

Precisamos despertar nas nossas crianças o interesse pelo mundo dos sons de forma prazerosa. Muitas crianças acabam por esquivar de “vozes humanas” por serem altamente direcionadas e/ou chamadas atenção.

É muito “não fulano” e muitas brincadeiras diretivas, e aquela criança que já não tem uma boa atenção aos sons acabará por reagir de forma reativa e se esquivar do outro quando se deparar com ambientes onde o seu desejo não é o foco da intervenção.

O que acaba sendo uma retroalimentação negativa, ficando cada vez mais difícil de “entrarmos no mundo” deles.

E o que podemos fazer para contornar esta situação?

Seguir a liderança e o desejo da criança

Seguir a liderança e o desejo da criança, utilizando músicas ou desenhos de seu interesse e demonstrar para a criança sua disponibilidade fará com que a criança engaje mais facilmente e consiga estabelecer um vínculo afetivo com você, assim ela terá boas memórias afetivas e ficará mais atenta aos estímulos que você vier à propor.

Sua fala será melhor percebida e a criança poderá desenvolver uma linguagem mais funcional e contextualizada, pois o desejo será a força motriz para ela se expressar.

Nota: Crianças com distúrbios articulatórios ou com apraxia de fala – distúrbio de planejamento motor da fala, possuem, em sua maioria, linguagem receptiva preservada. E o foco do tratamento será oromotor (fonético), ou seja, pistas auditivas não irão funcionar sozinhas e não serão tão eficazes quando pistas visuais e táteis – pois a dificuldade está em nível motor – de resposta e não perceptual auditiva (ou fonológica), lembrando sempre que existem casos em que ambas hipóteses podem co-existir como em distúrbios fonéticos-fonológicos ou Distúrbios Específicos de Linguagem de natureza mista (expressiva e receptiva), e então a expressão da fala estará afetada pela dificuldade na percepção auditiva dos sons e jamais o contrário.

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